Concordo com algumas coisas que escreveste, mas não sei se isso explicará o facto de sermos um país pobre. E quanto à parte de ninguém achar que pode ganhar dinheiro a fazer uma coisa de que gosta, acho que até é algo natural. A partir do momento em que uma coisa se torna uma obrigação deixa de ser aliciante. É como quando eu massacro o João no PES4... faço-o por gosto e para sentir o desespero na cara dele, mas sei que se me começassem a pagar para jogar àquilo chegaria em breve uma altura em que não me apeteceria jogar, ou seja, se não fosse o pagamento iria fazer outra coisa, mas que por ser trabalho teria de o fazer. E é assim com todos os trabalhos, mesmo com os blogues. Muita gente escreve coisas que lhe apetece por gosto, mas a partir do momento em que isso passe a ser uma profissão começam a aparecer dias em que a pessoa não tem nada para escrever mas tem que inventar alguma coisa contrariada porque "tem de ser".
Não será tanto uma utopia, mais uma quimera.
O rufferto foi bastante sucinto e directo no que disse, é um ciclo simples que eu demonstrarei a seguir:
1 - Do Stuff
2 - Stuff is discovered to be profitable
3 - Stuff is now relevant source of income
4 - Stuff must be done to keep money coming in
5 - Frustration ensues
6 - is afraid of 7
7 - 8 9
8 - doesn't know what happened
9 - is "literally" in the sh!t

Estamo-nos a afastar um pouco do tema principal, que era a vergonha de ganhar dinheiro, e a crença de que quem o faz, é por corrupção ou exploração de outros. Eu noto muito isso à volta.
E, sim, é possível que uma paixão nossa deixe de o ser quando passa a ser necessária, regularmente, como fonte de rendimento. Na adolescência, por exemplo, adorava resolver problemas relacionados com computadores; agora que faço isso (entre outras coisas) profissionalmente, já só o faço para amigos e família, e mesmo nesses casos tento sempre que as pessoas aprendam, em vez de "dependerem" de mim para sempre.
Mesmo assim, acredito que seja possível ganhar dinheiro e continuar a gostar do que se faz.
Ainda em relação a outra coisa que lá mencionei, sobre as pessoas acharem que o dinheiro "tira a pureza das coisas" - numa mailing list de blogs portugueses sobre tecnologia, falou-se recentemente (ontem, para ser exacto) da questão da publicidade em blogs, e houve vários (4, pelo menos) a dar a entender, basicamente, que achavam que fazer dinheiro dessa forma era "imoral". Parecia quase a história do aborto - não se limitavam a não pôr banners nos seus blogs, mas achavam mesmo que quem o fizesse estava a "corromper a pureza".
Estamo-nos a afastar um pouco do tema principal, que era a vergonha de ganhar dinheiro, e a crença de que quem o faz, é por corrupção ou exploração de outros. Eu noto muito isso à volta.
Eu não tenho vergonha nenhuma em ganhar dinheiro, mas também não é menos verdade que não tenho grandes motivos para me envergonhar. Isso da corrupção aplica-se mais a construtores civis e presidentes de câmara, já para não falar do pessoal que acumula cargos atrás de cargos. Ainda há pouco tempo o Valentim Loureiro era salvo erro deputado pelo PSD, presidente da Câmara de Gondomar, presidente da Liga de Futebol Profissional, presidente ou parecido do Metro do Porto, cônsul da Guiné e sei lá mais o quê. E para não ir assim tão longe, o palerma do Fernando Seara além de ser presidente da Câmara de Sintra ainda arranja tempo para ser comentador desportivo na TV e escrever crónicas sobre futebol todas as semanas. Estas acumulações de cargos a mim causam-me alguma estranheza.
Mesmo assim, acredito que seja possível ganhar dinheiro e continuar a gostar do que se faz.
Não sei... se até os jogadores que ganham milhões se queixam de que são muitos jogos, tenho que concluir que qualquer actividade que seja, a partir do momento em que deixa de ser feita por prazer e passa a ser feita por obrigação, se transforma em "trabalho".
Ainda em relação a outra coisa que lá mencionei, sobre as pessoas acharem que o dinheiro "tira a pureza das coisas" - numa mailing list de blogs portugueses sobre tecnologia, falou-se recentemente (ontem, para ser exacto) da questão da publicidade em blogs, e houve vários (4, pelo menos) a dar a entender, basicamente, que achavam que fazer dinheiro dessa forma era "imoral". Parecia quase a história do aborto - não se limitavam a não pôr banners nos seus blogs, mas achavam mesmo que quem o fizesse estava a "corromper a pureza".
Isso são palermas que acham que sabem melhor que as outras pessoas o que estas devem ou não devem fazer com as suas vidas.
Isso são palermas que acham que sabem melhor que as outras pessoas o que estas devem ou não devem fazer com as suas vidas.
Isso lembra-me de uma conversa que ouvi hoje no comboio, acerca de um miúdo que ia ao lado delas(eram duas ou três [embora só a "madame" e a "mãe" é que falassem], acho que o rapazito era filho da que não disse a tal aberração):
Mulher indigna desse nome: "Ele tem de ir para a catequese"
Mãe do rapaz: "Sim?"
M.I.D.N: "Sim, para ficar nas graças do Senhor. E também tem de se inscrever nos escuteiros"
Isto com o moço ao lado da mãe, sem dizer nada. Só o ouvi perguntar quantas paragens faltavam... poor kid :?
Algo deste género... Kyle's mom anyone? :?
É de ressair o tempo e o modo verbais: Imperativo, ou quase...
Uma ligeira divagação...